jeudi 5 février 2009

la vie est une grande tricherie

Não.
Não, não.
Hum… não.
Desculpa, não.

E não, eu não sei o que fazer com tanta negativa. Se menos mais menos dá mais, "não" continua sendo não e eu continuo no buraco. A vida é um grande calote. Eu não consigo tirar essa frase da cabeça, russo traduzido para o francês traduzido para o português. Não, não é isso. A vida é uma grande trapaça. E quem teima em ser boa gente, como eu, é alvo predileto da vida, maline que só ela.
Eu tomo vinho às quatro da tarde. Eu aprendo quatro frases em russo para ver se consigo trapacear a vida e convencer o diretor a ficar comigo. Eu faço quatro versões diferentes do meu currículo para ver se finalmente alguém me contrata. Eu tento entender o que faço em Paris numa quinta-feira de fevereiro, às quatro da tarde.

Eu, eu,

eu não faço nada.
Então eu escrevo, só para me certificar de que não tenho nada a dizer. Outro dia alguma tia disse que eu escrevia bem ; "nada de próprio", retruquei. Talvez eu devesse mesmo seguir carreira acadêmica e ficar pesquisando tudo o que já foi dito e inventado, reagrupando em artigos bem escritos cujo conteúdo não seria nada de meu. Há dias em que me sinto capaz de passar o resto da vida enfurnada em uma biblioteca, especialmente se ela for antiga e bela. Há dias em que me sinto perfeitamente capaz de ver o resto da vida passar.

1 commentaire:

D'Or Et De Laine a dit…

eu tanbem sou portugesa :)

adoro as tuas palabras.