Ela está sentada em um terraço de um bistrot francês, que curiosamente tem um nome americano: Tribeca. Ela pensa que nunca foi à Nova York. Do seu lado direito, a uma distância de menos de um corpo – como é usual nesse tipo de ambiente – um americano fala sobre a crise e fuma um cigarro. A fumaça vem diretamente ao seu rosto, mas ela não reclama; não tem esse direito. Do seu lado esquerdo, um casal francês também fala sobre a crise ao também fumar seu cigarro e, por alguma lógica perversa, a fumaça igualmente a atinge.
Sozinha, chocada por um enorme aquecedor à sua cabeça, ela pensa que não pertence a essa cidade, a esse mundo, a esse tempo. Os passantes vão e vem à sua frente e ela, calada, às vezes ensaia um sorriso tímido em busca de algum tipo de afeição. Inútil dizer que ninguém a olha, que nem mesmo a garçonete vem trazer seu pavé de saumon. Ela lhe pergunta se ainda demora, a garçonete, piedosamente simpática, diz que justamente na sua vez houve uma pane elétrica. Ela sorri e pensa que ela não deve ser tão importante assim mas que no entanto a vida, alguém, insiste em lhe provocar ao longo do dia.
Ela pensa em português, com seu ouvido direito preenchido de inglês e o esquerdo de francês. Ela entende tudo e pensa que no fundo é um enorme privilégio estar ali. Volta a sonhar com a Unesco, lembra da secretária negra, linda e inteligente do Ministério das Relações Exteriores e desiste de ser atriz. Depois, com tristeza e vergonha, admite que o prestígio é tudo que a move, que ela quer ser amada, adorada, idolatrada.
Le saumon, madame.
Ela olha um casal de volumosos americanos almoçando de modo glutão e se enoja, quer que eles sumam. Com um certo deleite, ela percebe que está cada vez mais intolerante. Ela aquiesce; talvez fosse ela quem devesse sumir.
Sozinha, chocada por um enorme aquecedor à sua cabeça, ela pensa que não pertence a essa cidade, a esse mundo, a esse tempo. Os passantes vão e vem à sua frente e ela, calada, às vezes ensaia um sorriso tímido em busca de algum tipo de afeição. Inútil dizer que ninguém a olha, que nem mesmo a garçonete vem trazer seu pavé de saumon. Ela lhe pergunta se ainda demora, a garçonete, piedosamente simpática, diz que justamente na sua vez houve uma pane elétrica. Ela sorri e pensa que ela não deve ser tão importante assim mas que no entanto a vida, alguém, insiste em lhe provocar ao longo do dia.
Ela pensa em português, com seu ouvido direito preenchido de inglês e o esquerdo de francês. Ela entende tudo e pensa que no fundo é um enorme privilégio estar ali. Volta a sonhar com a Unesco, lembra da secretária negra, linda e inteligente do Ministério das Relações Exteriores e desiste de ser atriz. Depois, com tristeza e vergonha, admite que o prestígio é tudo que a move, que ela quer ser amada, adorada, idolatrada.
Le saumon, madame.
Ela olha um casal de volumosos americanos almoçando de modo glutão e se enoja, quer que eles sumam. Com um certo deleite, ela percebe que está cada vez mais intolerante. Ela aquiesce; talvez fosse ela quem devesse sumir.
1 commentaire:
A gente tá que nem gato e rato...não consigo falar com você!
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